Outubro do nosso descontentamento.
Morreu Álvaro Laborinho Lúcio. Um Homem bom. Um Homem culto. Um escritor. Outubro trouxe-nos a notícia como se apagasse uma luz lenta sobre uma biblioteca silenciosa. Há ausências que não clamam, mas deixam perceber o que se perdeu.
Ele não foi apenas magistrado, ministro ou professor. Foi alguém cuja bondade se confundia com o pensamento, cuja erudição se oferecia sem alarde. Falava com cuidado, escrevia com precisão, e transformava o silêncio em atenção ao mundo.
Havia nele a convicção tranquila de que a justiça, a cultura e a literatura são exercícios de consciência e não de ostentação. Laborinho Lúcio lembrava que a inteligência não se mede por saber, mas pela forma de lidar com a fragilidade alheia.
Outubro parece agora mais denso. A sua ausência abre um espaço que não se preenche com palavras, mas com memória e presença discreta. Morreu um Homem bom. Um Homem culto. Um escritor. E é essa presença, silenciosa e firme, que permanece connosco.

Luís Galego (imagem: foto de Bruno Colaço/Revista Estante).